Desatino! Extra – Boletim das XXV Jornadas

 

Atividade preparatória para as XXV Jornadas da EBP Rio e ICP-RJ sobre Loucuras e Amores na Psicanálise.

A Coordenação das Jornadas, em parceria com a Comissão Científica, coordenada por Maria Silvia Hanna, convida a todos para uma conversa com Angela Negreiros, Paula Borsoi, Romildo do Rêgo Barros e Ruth Cohen, que são os responsáveis pelos quatro eixos temáticos que irão orientar os trabalhos das mesas simultâneas. Nessa ocasião, vamos escutá-los sobre a chegada dos trabalhos e sobre os temas que serão aprofundados em cada um dos eixos.

A preparatória vai acontecer no sábado, dia 23 de setembro, às 10:30, na Seção Rio, Rua Capistrano de Abreu, nº 14.

O prazo para o envio dos trabalhos vai de 10 a 30 de setembro. Não deixe para a última hora!! Os detalhes para o envio estão no Blog das XXV Jornadas.

Andréa Reis e Angela Batista

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Comentário ao texto “Palabras Preliminares” (MILLER, 2006)

Por Vanda Assumpção Almeida

     El amor en las psicosis nos enseña sobre el amor en general… Ó será por último que, el sujeto psicótico no ama, sino su delirio, según lo expresado por Freud?…las psicosis pueden entonces enseñarnos mucho sobre esa locura común que es el amor y sobre la transferencia. (MILLER, 2006, p.11)

Darei no texto dois pontos que podem nos ajudar a pensar sobre as questões do amor. Primeiramente, o fato de que “o amor é sempre narcísico” (MILLER, 2006, p.10) e, depois, a relação de proximidade que há entre o amor e a loucura, tal qual assinalada por Miller.

No que se refere à psicose, o narcisismo se pronuncia através da erotomania, no delírio erotômano, que vem servir de defesa ao que vem do Outro, uma vez que a metáfora simbólica do Nome do Pai está foracluída. Desse modo, o que vem do campo do Outro é ameaçador para o sujeito psicótico, e seu delírio é o recurso de que dispõe para dar conta do real. Seria preciso que a castração simbólica estivesse inscrita, sendo essa a condição de possibilidade para fazer barreira ao que vem do outro real como algo ilimitado. Miller destaca que o amor na psicose, segundo Lacan, é “um amor morto” (2006, p.10), ou seja, “mais que em qualquer outra parte o sujeito só ama a si mesmo, ou um ideal pelo qual substitui a realidade do parceiro” (2006, p.11), o que nos leva a indicar que a observação de Freud quanto ao amor para o sujeito psicótico é de que “ele não ama senão o seu delírio” (2006, p.11).

Inversamente, podemos dizer que “amar é antes de tudo querer ser amado” (MILER, 2006, p.11), mesmo que seja às expensas de se fazer objeto do outro no amor. Tal fato pode nos demonstrar o que afirma Miller, que entre o amor e a loucura há um limite tênue, à diferença de que estar na posição de falo do Outro, como consequência do narcisismo, tem resultados distintos para o sujeito psicótico, como demonstrado por Freud e Lacan nos casos Schreber e Aimée.

E quanto ao amor de transferência? Trata-se de um amor que traz as marcas, o traço de um amor passado, de uma experiência vivida. Desse modo, é dessa experiência que o sujeito estabelece o laço transferencial com o outro. Será o início de um tratamento que poderá levar ao que, na psicanálise, designamos como novo amor.

E quanto à psicose, o que tem Miller a dizer? Ele traz à luz a capacidade de invenção do analista, o que implica que este possa permitir o deslocamento das insígnias significantes para que a transferência se dê e, através da sua escuta, possa recolher os detritos da língua passíveis de se tornarem novas invenções, não mais de ordem ameaçadora, mas que apontem na direção de um novo amor.

Referências
MILLER, Jacques-Alain et al. Palabras Preliminares. Em: El amor en las Psicosis. Buenos-Aires: Paidós, 2006, p. 9-12.

Psicose Ordinária: um comentário

Por Lenita Bentes

“Posso agora refletir sobre o motivo que me levou a sentir na época a necessidade, a urgência e a utilidade de inventar este sintagma – psicose ordinária. Diria que foi para driblar a rigidez de uma clínica binária: neurose ou psicose”.

(MILLER, 2008, p.402)

O que ganhamos com o sintagma psicose ordinária é que este traz precisão ao vasto campo da psicose, flexibilizando o binarismo neurose-psicose, sem ferir as formulações de Freud e Lacan quanto às estruturas classicamente definidas.

Entretanto, a Psicose Ordinária é uma categoria clínica lacaniana, mais precisamente recolhida de seu último ensino, a qual lança luz sobre tipos de funcionamento frequentes que muito embaraçam a clínica. Trata-se da nada rara clínica denominada por Miller como Psicose Ordinária, que não tem definição rígida, mas provoca um grande “eco clínico”.

O diagnóstico impossível de concluir encontra um campo teórico clínico espesso. A Psicose Ordinária é um “terceiro excluído” da clínica binária neurose-psicose. É uma clínica dos pequenos indícios, das nuances, das tonalidades. Contudo, mostra com clareza a compensação da foraclusão do Nome-do-Pai que Lacan enfatiza desde seu primeiro ensino.

Valho-me da escritora Clarice Lispector, numa passagem esclarecedora: “devemos ter muito cuidado quando tocamos no que nos parece ser o defeito de alguém, pois, muitas vezes, é em torno dele que ela organiza a sua vida”.

Referências

MILLER, Jacques-Alain. A psicose ordinária. Belo Horizonte: Scriptum, 2012.

Encontros na pólis

Por Roberta D’Assunção

Em sua apresentação do Centro Inter-disciplinar de Estudos sobre a Criança (Cien), Judith Miller nos convoca a pensar “em que real o discurso do mestre está confrontado no seu esforço de normatização.” (MILLER, 1998) Real que interessa ao psicanalista ouvir dos pequenos grupos que habitam essa pólis inter-galáctica atual.

Recentemente, tivemos uma conversação* no CienRio inspirada pelo testemunho vivo e corajoso do pai de um adolescente autista. A lida diária e ininterrupta com o filho, bem como a dificuldade em encontrar um lugar no sistema educativo e na cidade para os dois, foram difíceis de suportar e tiveram efeitos segregativos.

Se a lei que torna obrigatória a oferta de mediação escolar garante uma vaga para a criança no discurso pedagógico, durante a conversação percebemos que será necessário ainda um “bom encontro” para  que a criança faça parte do cotidiano escolar. Necessário mas nem sempre possível. A possibilidade surge na fala da diretora de uma escola sobre o “apaixonamento” de uma criança autista por seu colega de classe que a leva a participar das atividades e se enlaçar nas amizades. O colega foi escolhido pela criança como seu mediador, desafiando as expectativas de contratar um profissional especializado para tal.

A presença do analista no Cien introduz uma lógica não dogmática e ajuda a manter vivo o real em torno do qual esses discursos circulam, abrindo brechas para crianças, adolescentes, pais e profissionais criarem suas respostas, “pois coloca em jogo novos elementos extraídos da contingência do encontro naquela conversação.” (BARROS, 2017) O psicanalista tem como tarefa destacar os significantes emblemáticos destes encontros contingentes que os laboratórios recolheram nas ruas, Caps, abrigos, escolas, hospitais, e que produzem um caldo rico de práticas e falas inéditas na cidade.

 

*A conversação contou com participantes dos laboratórios do CienRio: “A criança entre a mulher e a mãe”, “Singularizar o cuidado”, “Brincante”, “Digaí-Escola”, “Infância Errante” e “Pipa-Voada”.

 

Referências

MILLER, Judith. Cien: Apresentação por Judith Miller. Correio. São Paulo: EBP, n. 21-22, nov.1998.

BARROS, Maria do Rosário Collier do Rêgo. A prática interdisciplinar do Cien. In: Brown, N.; Macedo, L.; Lyra, R. (Orgs.) “Trauma, solidão e laço na infância e na adolescência: experiências do Cien no Brasil”. Belo Horizonte: EBP, 2017.

Desatino! nº 2 – Boletim das XXV Jornadas

Olá pessoal!

Reservamos o Boletim Desatino #2 especialmente para divulgar a programação de nossas XXV Jornadas!

Nela, vocês já podem ter um panorama de como se desdobrarão esses dois intensos dias de trabalho.

Para esquentar os tamborins, a comissão científica organizou quatro cursos para a manhã da sexta-feira. Trabalhando em duplas, membros da seção Rio discutirão casos clínicos e testemunhos de passe publicados.

Após o almoço, as Jornadas começam com a riqueza da conversação clínica do ICP-RJ, e seguem com a Primeira Plenária onde o testemunho de passe de Maria Josefina Sota Fuentes será comentado por nossa convidada da ELP de Barcelona, Araceli Fuentes.

A manhã do sábado será dedicada à apresentação de trabalhos nas mesas simultâneas, que mais adiante divulgaremos detalhadamente. À tarde, teremos mais duas Plenárias que prometem e, para finalizar, será com grande prazer que escutaremos a Conferência de Araceli Fuentes!

À noite é chegada a hora de amar e enlouquecer com a nossa festa!

Na programação, vocês também encontram os temas das plenárias e os colegas que comporão essas mesas.

Organizem-se, desde já, para participarem desse importante encontro de nossa comunidade analítica!

Com entusiasmo,
Comissão de Divulgação e Mídia

 

XXV Jornadas Clínicas EBP Rio / ICP-RJ
Loucuras e amores na psicanálise

Sexta feira, dia 10 de novembro de 2017

9:00 às 11:00
Cursos

12:00 às 13:00
Credenciamento

13:00 às 13:30
Abertura
Angela Bernardes
Angela Batista

13:30 às 16:30
Conversação Clínica do ICP-RJ

17:00 às 18:30
Primeira plenária
Testemunho de AE: Maria Josefina Sota Fuentes
Comentários: Araceli Fuentes
Coordenação: Márcia Zucchi

19:00
Brinde

Sábado, dia 11 de novembro de 2017

9:00 às 12:30
Mesas simultâneas

12:30 às 14:00
Intervalo para almoço

14:00 às 15:30
Segunda plenária
“Todo mundo é louco, isto é, delirante”
Marcus André Vieira
Maria Silvia Hanna
Coordenação: Ana Tereza Groisman

15:30 às 17:00
Terceira plenária
“Só o amor permite ao gozo condescender ao desejo”
Romildo do Rêgo Barros
Ruth Cohen
Coordenação: Glória Maron

18:00 às 19:00
Conferência de Araceli Fuentes: Un amor puesto a prueba de lo real
Coordenação:  Fernando Coutinho

19:00 às 19:30
Encerramento
Andréa Reis Santos
Paula Borsoi

20:00
Festa

Desatino! Extra – Boletim das XXV Jornadas


Prezados colegas da EBP,

Nos dias 10 e 11 de novembro, acontecerão as XXV Jornadas Clínicas da EBP-Rio e do ICP-RJ, que terão como título “Loucuras e Amores na Psicanálise”.

Como coordenadores da Comissão de Livraria, gostaríamos de convidar os membros da Escola que tenham títulos lançados entre 2015 e 2017 a nos informarem sobre seu interesse em participar de uma sessão de autógrafos de livros na ocasião das Jornadas.

Além disso, convidamos todos os membros da Escola que participarão de nosso evento no Rio, se assim o desejarem, a disporem seus livros para venda no Bazar da Livraria, durante os dois dias do evento.

Aguardamos notícias até o dia 11 de setembro para que possamos incluir os livros na organização da livraria.

Favor enviar resposta, por e-mail, para:

Leonardo Miranda leonardolopesmiranda1@gmail.com e Patricia Paterson paterson.patricia@gmail.com.

Coordenadores da Comissão de Livraria das XXV Jornadas Clínicas da EBP-Rio e do ICP-RJ

 

Desatino! nº 1 – Boletim das XXV Jornadas


Olá pessoal!

Neste Boletim #1, apresentaremos o funcionamento do blog das XXV Jornadas da EBP Rio e do ICP RJ, “Loucuras e Amores na Psicanálise”.

No menu principal, temos as “abas”, seções fixas onde vocês podem encontrar o argumento e os eixos temáticos, além de informações sobre nossa convidada, inscrições, envio de trabalhos, livraria e festa.

Em O Blog e suas categorias, encontram-se quatro espaços distintos, que dialogam e se cruzam num movimento de construção e fundamentação teórico-clínica do tema:

·    Orientação ponto a ponto contém pequenas pérolas, leituras precisas de membros da Seção Rio sobre extratos da bibliografia sugerida. Nessa categoria, já contamos com as participações de Maria Silvia Hanna, Ângela Negreiros e Sandra Viola.

·    Todo mundo lê, espaço destinado a resenhas de livros, foi inaugurado por Angela Batista com o livro de nossa convidada Araceli Fuentes, El misterio del cuerpo hablante.

·    Pólis-amores e loucuras, com interpretações dos espaços da cidade onde a ação lacaniana se faz presente. Nesta primeira edição, conta com a escuta atenta de Marina Sodré em uma escola do Rio de Janeiro.

·    Escavações do ICP , posts que estão por vir, serão as contribuições dos alunos do ICP para as Jornadas.

Para se inscrever, não deixem de ligar para a secretaria da EBP Rio (25390960) ou do ICP RJ (25392721).

Leiam todas novidades em https://loucuraseamores2017.wordpress.com. Curtam a página da EBP Rio no Facebook, confirmem presença no evento e sigam-nos no Instagram em @loucuraseamores2017!

Esperamos por vocês!

Comissão de Divulgação e Mídia