Leituras e releituras na escola

Por Marina Sodré

O analista na cidade é aquele que tentar ler a cidade e seus sintomas (VIEIRA, 2017). Foi assim que, em uma escola municipal de Ensino Fundamental II, começamos a trabalhar com assembleia de alunos. A oferta veio da analista; uma espécie de resposta às queixas e demandas dos professores, inspirada em autores do campo da educação para quem a assembleia é um importante instrumento de democratização da escola, assim como a democratização da escola é princípio crucial no tratamento das suas mazelas. “Se a sala de aula não está dando conta da aprendizagem do aluno, a assembleia pode ser um espaço primordial de aprendizagem para ele”, defende uma professora no ‘Conselho de Classe’, fazendo-nos lembrar de Paulo Freire (1989) e de sua conhecida ideia de que a leitura do mundo precede a leitura da palavra.

A analista na cidade é aquela que lê, mas também é a que faz ler, aquela que causa, no outro, leituras e releituras do mundo/cidade/escola, incluindo aí seus sintomas. Foi assim que uma assembleia girou em torno das brigas violentas entre os alunos: “conversar é mal visto, é coisa de ‘bundão’. No local onde moramos é assim, é natural brigar”. Muitas outras falas se seguem até aquela que faz uma leitura da própria assembleia, interpretando seu princípio fundamental: “meu pai sempre me falou que a língua é a nossa maior arma”.

Referências Bibliográficas

VIEIRA, Marcus André. Abertura da categoria Pólis-amores e loucuras. Em: Blog das XXV Jornadas Clínicas da EBP Rio e ICP RJ, 2017. Disponível em: https://loucuraseamores2017.wordpress.com/category/polis-amores-e-loucuras . Acesso em 25/07/2017.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.